Linter de voz pro português brasileiro. Sinaliza onde seu texto virou gororoba, tipo o ESLint aponta erro no código.
Começa meu, vira nosso. Seu sotaque vira teste, com seu nome no crédito, e o corretor te respeita pra sempre.
gororoba é gíria pra comida feita sem cuidado: sobra requentada, mistura sem gosto, rango que ninguém quer no prato. É o nome certo pro texto que ninguém quer ler: genérico, requentado, traduzido na tora, sem tempero.
Esta ferramenta prova o seu texto e mostra onde ele virou gororoba, trecho por trecho. Aí você tempera e serve melhor. Não dá nota, não acusa ninguém: aponta o ponto exato e o porquê, pra você decidir.
Não é detector de autoria de IA. Nosso linter diz "isto tem 3 conectivos de tradução e 2 de voz passiva", não "isto foi escrito por máquina".
Você pede, dentro do Claude Code, e ele passa o gororoba no texto: aponta cada sinal, diz o porquê, devolve gostosinho. Os alertas abaixo são a saída real do linter, não maquiagem.
Prefere terminal cru? A seção Roda em 3 linhas mostra o mesmo via CLI.
O mesmo recado, primeiro requentado, depois gostosinho. Entra o gororoba:
"Nos dias de hoje, o autoconhecimento importa mais do que nunca."
"É importante destacar que o método foi elaborado por especialistas."
"Sem dúvida, este curso é um divisor de águas na sua vida."
Sai com voz:
"Hoje em dia a gente cuida pouco de se conhecer, e isso cobra caro."
"Montei o método com gente que faz isso há vinte anos."
"Esse curso vira seu ano. Falo por quem já passou por ele."
O gororoba acende cinco sinais (duas aberturas de garganta limpa, um conectivo de tradução, uma voz passiva, um clichê). Você corta e escolhe o que serve melhor.
Os detectores de autoria de IA (GPTZero, Turnitin AI) têm viés comprovado contra quem escreve simples ou não é nativo, e foram desligados por várias universidades. gororoba foge disso de propósito. A pergunta aqui é "vale a pena ler?", não "quem escreveu?". Genericidade é medível e acionável. Autoria não é.
Slop é propriedade do texto, não de quem apertou a tecla no teclado. Tem IA bem usada que sai limpa, e tem gente escrevendo gororoba pura sem máquina nenhuma.
brew install vale
git clone https://github.com/renanburn/gororoba && cd gororoba
vale tests/gororoba.mdSaída (trecho real, são 19 alertas no total):
[cliche-ia] 'No mundo de hoje': abertura de garganta limpa. Vai direto na informação.
[conectivo-traducao] 'vale ressaltar que': conectivo de tradução. Começa pela informação.
[voz-passiva] 'foi observado': fórmula impessoal de praxe burocrática. Põe sujeito, voz ativa.
Nota: o
valesozinho roda só com ele mesmo. A validação cheia (bash tests/run.sh, a que o CI roda) conta os alertas compython3, então tenha opython3à mão pra rodar a suíte.
Não quer instalar nada? Dá pra usar a régua dentro do Claude, do ChatGPT ou de um agente com terminal. O guia usar com IA traz um prompt copia e cola e os dois caminhos: a IA com terminal roda o linter de verdade (reproduzível), e a IA em chat aplica a régua de cabeça (rápido, aproximado). O prompt já carrega o anteparo, pra IA nenhuma marcar fala regional como slop.
Se você é uma IA lendo este repo, o AGENTS.md diz como creditar e contribuir certo.
Cada eixo é uma tag: o nome que aparece no alerta é o mesmo que você lê aqui.
| Eixo (tag) | O que pega |
|---|---|
conectivo-traducao |
vale ressaltar, nesse sentido, cabe ressaltar |
calco-traducao |
no final do dia, dito isso, posto isso |
voz-passiva |
foi observado, pode-se notar, constata-se que |
gerundismo |
vou estar enviando, vou estar mandando |
cliche-ia |
ótima pergunta, abertura de garganta limpa, travessão, paralelismo negativo |
alusao-vaga |
estudos mostram, especialistas afirmam, uma grande marca |
calco-traducao e alusao-vaga entram como suggestion (sinal mais fraco, falso
positivo maior: nomear a fonte nem sempre cabe, tipo texto sob NDA); os outros como
warning. Ritmo, brasilidade e densidade ficam para depois. São subjetivos e baixam a
concordância entre anotadores. A v0 fica nos 6 eixos objetivos.
O viés que derrubou os detectores foi penalizar voz simples. gororoba corre o risco
oposto: marcar mineirês ou fala popular como slop. Isso seria a morte da ferramenta.
O fixture tests/voz-limpa.md existe pra travar isso: "Cê viu esse trem? Tá doido."
passa limpo, sem um alerta, junto com fala de treze cantos do Brasil. Roda e confere:
vale tests/voz-limpa.mdEsta é a Camada 2, o linter. Funciona e roda em CI hoje.
A metodologia de anotação já passou num piloto de 15 trechos: dois anotadores
independentes, kappa de Cohen de 0,80 (conectivo), 1,00 (voz passiva) e 0,81
(clichê), concordância quase perfeita na escala de Landis-Koch. A evidência crua, as três
rodadas e o diagnóstico estão versionados em dataset/piloto/rodadas/,
pra qualquer um auditar.
O que falta é a Camada 1: escalar essa anotação pros 113 trechos já coletados (fonte verificável, zero inventado) e cravar o kappa do benchmark público. São 113 trechos coletados, 0 anotados: estão no repo com os scores em branco, e a anotação roda em aberto, dá pra acompanhar e contribuir.
Até lá, sendo honesto: régua validada em piloto, benchmark em anotação aberta. Não vou chamar de "benchmark" antes de ter o kappa dos 113 na mão.
O posicionamento responde de frente "isso é só regex?", "e os falsos positivos?", "pega fala popular?" e "por que confiar sem o kappa?". O documento a régua explica o porquê de cada eixo ser slop, e o que a régua de propósito não pega.
Um linter melhora em conjunto. O guia de contribuição traz a regra dura: regra nova entra com fixture (caso que deve pegar) e anti-fixture (caso que NÃO pode pegar). Tem template de issue pra falso-positivo e pra regra nova. Sabe falar de um canto do Brasil que ainda não está no teste? Esse é o melhor primeiro PR daqui.
O gororoba pega o slop que é igual pra todo mundo. O que te faz soar você, a sua voz ou a da sua marca, ele não sabe. Pra isso tem o tempero: um kit pra você montar a sua própria régua de voz, que roda junto com o gororoba. Um tira o requentado, o outro põe o seu tempero.
Vem da minha régua anti-slop, que eu já mantinha antes, e do
stop-slop de Hardik Pandya (MIT), que me
ajudou a formalizar a ideia para o português. As regras derivam do meu ruleset próprio
(papo-reto), não do vale-signs-of-ai-writing em inglês, pra manter a licença MIT
limpa.
MIT. Ver LICENSE.
Mantido por Renan Guaceroni. O gororoba nasceu da régua de voz que uso no TomOS, meu sistema pessoal de IA. Esta é a parte que dá pra você levar pra casa.
Este README passou na própria régua. Roda vale README.md e confere.

